segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Sabores germânicos

A herança culinária das colônias de imigração alemã deu origem a uma rica cultura gastronômica que se tornou patrimônio de Santa Catarina.

Biscoitos recém tirados do forno perfumam todos os cômodos da casa. Ao invés de margarina industrializada, a banha de porco confere um sabor genuíno à receita, aquela mesma que a "oma" (avó) fazia aos netos e bisnetos assim que chegou da Alemanha. Cento e oitenta anos depois dos primeiros imigrantes pisarem em terras catarinenses em busca de melhores condições de vida, a autêntica culinária germânica ainda continua viva em Santa Catarina.

Em comunidades rurais de municípios do interior é possível encontrar dezenas de pratos simples e saborosos, com nomes praticamente impronunciáveis. Receitas como a Hühnergeschmoren (galinha caipira de panela) revelam a criatividade e capacidade de adaptação dos colonos alemães que povoaram o Estado no século 19. O prato é preparado até hoje pela família Hermann Hasse, oriunda da Alemanha em 1889, e mostra bem a adaptação dos colonos alemães à sua nova terra. Nas colônias, ingredientes bem brasileiros -- como aipim, taiá e arroz crioulo -- passaram a fazer parte do cardápio como acompanhamentos.


Este patrimônio cultural-gastronômico vem sendo resgatado de forma gradual por instituições de ensino e prefeituras de interior, como a de São Pedro de Alcântara, primeira colônia alemã de Santa Catarina. No local, a maioria das receitas identificadas difere dos tradicionais eisbein (joelho de porco) e marreco recheado com repolho roxo comumente encontrados em restaurantes típicos do Vale do Itajaí. No interior, é possível aprender receitas simples, passadas de mãe para filha e que resistem à industrialização alimentar.


A cuca de fermento de pão, ou Streuselkuchen, por exemplo, leva ingredientes como açúcar mascavo, raspa de limão, canela e banha de porco. Muitos destes sabores tradicionais vêm sendo catalogados pelo Instituto Recriar, entidade sem fins lucrativos que desenvolve uma série de ações para comemorar os 180 anos de imigração alemã em Santa Catarina. O objetivo desta iniciativa é resgatar detalhes sobre o uso e manuseio dos ingredientes nos tempos coloniais, além das histórias de pratos feitos pelas mães, avós e bisavós de origem germânica.

Turismo gastronômico  


Pratos mais tradicionais da culinária alemã, no entanto, também estão ao alcance dos mais curiosos em restaurantes que ganharam fama e respeito ao longo dos anos. O exemplo mais clássico atende pelo nome deAbendbrothaus e é referência em gastronomia germânica no Estado. Situado na Vila Itoupava, bairro afastado 25 quilômetros do Centro de Blumenau e administrado pela família Jensen, o local abre apenas aos domingos e tem apenas uma opção no cardápio: marreco recheado com repolho roxo e purê de maçã.

O eisbein (joelho de porco) é outro prato bastante famoso introduzido pelos imigrantes alemães no Vale do Itajaí. Embora presente no cardápio da maioria dos restaurantes típicos da região, é em Pomerode que o eisbein atrai turistas de todo o Brasil em busca de novos sabores. O restaurante Siedlertal, no centro da cidade, é um dos especializados em joelho de porco preparado sob os padrões da culinária alemã.

Nenhum comentário:

Postar um comentário