A obra prima de Maximiliano
Schonfeld reconstitui os conflitos de uma colônia alemã de Entre Rios
(Argentina), da perda de seu lugar no mundo até o futuro incerto. “Germania”,
que estreou no dia 21/03, recebeu o Prêmio Especial do Juri, no último BAFICI
(Buenos Aires Festival Internacional de Cinema Independente).
Em seu filme Germania (2012),
Maximiliano Schonfeld retrata suas origens, a vida dos descendentes alemães de
Volga que formaram numerosas colônias na província de Entre Rios. Trata-se de
um universo circular, articulado pela coesão familiar e religiosa que lhes
permitiu manter intactas suas tradições e o dialeto Wolgadeutsche. “As
histórias relatadas pelas famílias alemãs sempre mantém o sabor do mito
distante, da história contada aos sussurros, proibida. Quis transformar aquela
tradição oral em imagem cinematográfica”, afirma Schonfeld.
Germania conta o último dia de
uma família em Santa Rosa, uma pequena aldeia alemã de Entre Rios. A mãe e seus
dois filhos adolescentes, Lucas e Brenda, vivem um duelo íntimo ao esperar pela
partida, mas as razões para dua ida são misteriosas: sua fazenda foi devastada
por uma peste e os aldeões evitam se aproximar deles.
Protagonizada por atores das
aldeias, que se expressam em alemão e em castelhano, o filme reflete a ruptura
geracional que hoje existe entre jovens e adultos. Além disso, sugere relações
familiares que se aproximam do tabu e põe foco sobre o contraditório mundo
adolescente.
Maximiliano Schonfeld, diretor do
filme, conversou com a Revista Ñ sobre como foi mergulhar em suas raízes
familiares e dessa quebra que se dá nas comunidades onde poucos são os jovens
que continuam com as tradições de seus ancestrais. “O dialeto Wolgadeutsche
está se perdendo e creio que em menos de 50 anos vá desaparecer por completo.
Entre as pessoas de minha idade jã não se fala, enquanto meu pai falava apenas
em alemão até os 14 anos, não sabendo uma única palavra em castelhano”, conta o
diretor.
Leia a entrevista em Revista Ñ

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