As línguas de imigração e seus
falantes sempre sofreram com a submissão de seu idioma materno no país que
acabam optando para se estabelecer e viver com melhor qualidade. No caso brasileiro, os imigrantes e seus
descendentes sofrem com as dificuldades de preservar sua identidade, cultura e
história linguística. A maioria das políticas publicas, apesar de em sua
criação e plano de ação serem louváveis e com ideias exemplares para a
divulgação e conservação das línguas brasileiras de imigração, na prática os
resultados não são bem o esperado pelos falantes dos idiomas imigracionais.
Muitas variações linguísticas de idiomas de
imigração não são vistos ou englobados nestas políticas e promoções
linguísticas por parte do estado brasileiro. A intervenção do governo neste
caso torna-se inútil e até mesmo acaba sendo prejudicial à preservação e
respeito com estes idiomas. À medida que isto fica evidente nos esforços por
parte de órgãos públicos em acabar não dando a devida atenção a certas línguas
de imigração, como o talian e o vêneto no caso do sul do Brasil, nos remete a
história da opressão linguística sofrida pelos imigrantes italianos e alemães
durante certo período do século XX.
Devido ao nacionalismo do governo Vargas e o
inicio da segunda guerra mundial, onde o Brasil acabou se aliando aos Estados
Unidos e Inglaterra contra os regimes nazifascistas da Alemanha e Itália, o
estado brasileiro passou a reprimir e segregar qualquer relação dos imigrantes
italianos e alemães com a terra natal. A proibição do uso do idioma materno foi
talvez a mais prejudicial ação por parte do governo Vargas em relação a
preservação da identidade dos imigrantes, o uso do italiano e alemão passou a
ser visto como ação contra o país e lesa pátria, sendo seus falantes
perseguidos e punidos criminalmente por uso de sua língua original. Esta
opressão linguística e seus reflexos negativos ficam claros quando se percebe q
quase extinção dos falantes do talian, pois muitos conservam os traumas
sofridos durante o estado novo.
Esta repressão passou a fazer parte da linha
educacional e pedagógica das escolas, onde o português passou a ser a única
língua obrigatória nas salas de aula, assim como o estudo de história e
geografia do Brasil em detrimento da cultura original do imigrante, numa
atitude extremamente xenófoba de proibição de qualquer traço de identidade
germânico ou italiano. O medo de se falar línguas derivadas do tronco
linguístico alemão e italiano passou a ser constante na vida dos imigrantes e
seus descendentes. Temendo o preconceito e a vergonha induzida por medidas
governamentais no passado, foi se perdendo a cultura da fala e identidade
linguística, tendo assim um grande risco de estas línguas no Brasil acabaram
sendo extintas caso se deixe a situação permanecer como se está.
Infelizmente as medidas políticas que visam à
preservação das línguas de imigração não abarcam certos idiomas, como o talian
por exemplo. O Talian, assim como o veneto, é taxado como dialeto, sendo
considerados sem valor político-linguistico.
A rotulação de ser mero dialeto prejudica perante as medidas e
legislações referentes a conservação destes traços linguísticos e a falta de
políticas governamentais para a promoção do idioma, são os o grande empecilhos
e dificuldades postas aos falantes destas línguas, é crucial que os próprios
falantes se encarreguem através de movimentos sociais e união coletiva traçar
maneiras de preservar e manter viva sua cultura e identidade linguística.
Referencias Bibliográficas:
CAMBRUSSI, Morgana Fabíola: O efeito das políticas de promoção linguística para
as línguas de imigração: o caso do talian e do italiano. IN: Revista Língua
& Literatura Pg. 53 – 67.
MOSER, Anita. A violência do
Estado Novo Brasileiro contra os colonos descendentes de imigrantes italianos
em Santa Catarina durante a Segunda Guerra Mundial. Disponível em: http://www.ipol.org.br

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