terça-feira, 26 de novembro de 2013

A eficácia das Políticas linguísticas no Brasil para as línguas de imigração

As línguas de imigração e seus falantes sempre sofreram com a submissão de seu idioma materno no país que acabam optando para se estabelecer e viver com melhor qualidade.  No caso brasileiro, os imigrantes e seus descendentes sofrem com as dificuldades de preservar sua identidade, cultura e história linguística. A maioria das políticas publicas, apesar de em sua criação e plano de ação serem louváveis e com ideias exemplares para a divulgação e conservação das línguas brasileiras de imigração, na prática os resultados não são bem o esperado pelos falantes dos idiomas imigracionais.

 Muitas variações linguísticas de idiomas de imigração não são vistos ou englobados nestas políticas e promoções linguísticas por parte do estado brasileiro. A intervenção do governo neste caso torna-se inútil e até mesmo acaba sendo prejudicial à preservação e respeito com estes idiomas. À medida que isto fica evidente nos esforços por parte de órgãos públicos em acabar não dando a devida atenção a certas línguas de imigração, como o talian e o vêneto no caso do sul do Brasil, nos remete a história da opressão linguística sofrida pelos imigrantes italianos e alemães durante certo período do século XX.

 Devido ao nacionalismo do governo Vargas e o inicio da segunda guerra mundial, onde o Brasil acabou se aliando aos Estados Unidos e Inglaterra contra os regimes nazifascistas da Alemanha e Itália, o estado brasileiro passou a reprimir e segregar qualquer relação dos imigrantes italianos e alemães com a terra natal. A proibição do uso do idioma materno foi talvez a mais prejudicial ação por parte do governo Vargas em relação a preservação da identidade dos imigrantes, o uso do italiano e alemão passou a ser visto como ação contra o país e lesa pátria, sendo seus falantes perseguidos e punidos criminalmente por uso de sua língua original. Esta opressão linguística e seus reflexos negativos ficam claros quando se percebe q quase extinção dos falantes do talian, pois muitos conservam os traumas sofridos durante o estado novo.


Esta repressão passou a fazer parte da linha educacional e pedagógica das escolas, onde o português passou a ser a única língua obrigatória nas salas de aula, assim como o estudo de história e geografia do Brasil em detrimento da cultura original do imigrante, numa atitude extremamente xenófoba de proibição de qualquer traço de identidade germânico ou italiano. O medo de se falar línguas derivadas do tronco linguístico alemão e italiano passou a ser constante na vida dos imigrantes e seus descendentes. Temendo o preconceito e a vergonha induzida por medidas governamentais no passado, foi se perdendo a cultura da fala e identidade linguística, tendo assim um grande risco de estas línguas no Brasil acabaram sendo extintas caso se deixe a situação permanecer como se está.

Infelizmente as medidas políticas que visam à preservação das línguas de imigração não abarcam certos idiomas, como o talian por exemplo. O Talian, assim como o veneto, é taxado como dialeto, sendo considerados sem valor político-linguistico.  A rotulação de ser mero dialeto prejudica perante as medidas e legislações referentes a conservação destes traços linguísticos e a falta de políticas governamentais para a promoção do idioma, são os o grande empecilhos e dificuldades postas aos falantes destas línguas, é crucial que os próprios falantes se encarreguem através de movimentos sociais e união coletiva traçar maneiras de preservar e manter viva sua cultura e identidade linguística.

Referencias Bibliográficas: CAMBRUSSI, Morgana Fabíola: O efeito das políticas de promoção linguística para as línguas de imigração: o caso do talian e do italiano. IN: Revista Língua & Literatura Pg. 53 – 67.


MOSER, Anita. A violência do Estado Novo Brasileiro contra os colonos descendentes de imigrantes italianos em Santa Catarina durante a Segunda Guerra Mundial. Disponível em: http://www.ipol.org.br

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